Depois de ler a mensagem deixo que o silêncio se instale, o paramédico não o contraria e eu acabo por adormecer. Quando volto a abrir os olhos o helicóptero preparava-se para aterrar, olho em volta e reparo que o gordo já não está no chão, interroguei-me sobre se o teriam deixado no hospital mas não quis questionar nenhum deles. O paramédico repara que eu já acordei e aponta para a janela:
“Tu vais descer aqui.”
A minha resposta resume-se a um sinal afirmativo feito com a cabeça, pela janela vejo o chão a aproximar-se lentamente, o vento do helicóptero levanta pó e gravilha em redor do seu eixo, oiço o piloto e o paramédico a conversarem:
“Há quanto tempo não vinhas cá?”
“Há anos já, não sei ao certo.”
“Está tão diferente...”
“Será que ainda existe aquele restaurante?”
“Não faço ideia, devíamos passar lá um dia destes.”
Finalmente o helicóptero aterra, o paramédico abre-me a porta e quando saio aperta-me a mão com firmeza:
“Bom trabalho!”
Agradeço e começo a caminhar, deixo-me envolver por aquela brisa fresca, olho para o relógio e este marca 07.45, já se deve beber café algures. No horizonte começam a nascer algumas torres de betão, não muito altas, mas o suficiente para me recordarem de onde estou, lembro-me do paramédico e apercebo-me que também eu não vinha aqui há muitos anos.
No bolso, o meu telemóvel volta a zumbir, a mensagem do costume, horas e locais culminados com uma frase: “Hoje é a deadline.” Ao lado desta, uma cara sorridente feita com sinais de pontuação e uma longa interjeição de riso, este deve ser o trocadilho mais velho deste ofício, não sabia que ainda o utilizavam.
Atiro o telemóvel novamente para o bolso e estudo o horizonte que se estende perante os meus olhos. Fui deixado num descampado relativamente próximo de uma cidade, que se vai delineando com traços mais carregados à medida que avanço para lá.
Embora a hora do dia seja ainda relativamente madrugadora, a verdade é que vejo já um número enorme de viaturas a circular no seio das estradas que dão acesso à metrópole, com o seu roncar característico de algo que está já atrasado para o seu emprego.
Ao chegar à periferia da cidade, paro junto do passeio e limito-me a estudar o trânsito de mãos nos bolsos. Bastaram cerca de três minutos para que eu subisse abruptamente um dos braços, chamando até mim o primeiro táxi que vejo aproximar-se. Depois de entrar na viatura, sou obrigado a atirar com a porta duas vezes para que esta fique finalmente trancada.
“Bom dia”, diz o taxista maquinalmente, sem se dignar sequer a olhar para o espelho retrovisor.
“Leve-me até ao Hotel Real Palácio.”
“Com certeza, caro senhor!”, responde imediatamente o taxista, lançando ao mesmo tempo um olhar submisso para o espelho.
Ter mencionado um dos hotéis mais luxuosos da região deve ter estimulado o apetite do taxista para uma boa gorjeta. Esboço um sorriso interior. De mim não vai levar absolutamente nada. Estou somente a ir para esse hotel, porque sei que é o ponto de partida para encontrar o meu alvo.
Toda a investigação que levei a cabo antes de ter a sua imagem sugere que ele passa imenso tempo no Hotel Real palácio, portanto é para lá que vou. Agora que já tenho as fotografias do meu objectivo, até me arrisco a acabar o trabalho dentro de algumas horas.
“Tu vais descer aqui.”
A minha resposta resume-se a um sinal afirmativo feito com a cabeça, pela janela vejo o chão a aproximar-se lentamente, o vento do helicóptero levanta pó e gravilha em redor do seu eixo, oiço o piloto e o paramédico a conversarem:
“Há quanto tempo não vinhas cá?”
“Há anos já, não sei ao certo.”
“Está tão diferente...”
“Será que ainda existe aquele restaurante?”
“Não faço ideia, devíamos passar lá um dia destes.”
Finalmente o helicóptero aterra, o paramédico abre-me a porta e quando saio aperta-me a mão com firmeza:
“Bom trabalho!”
Agradeço e começo a caminhar, deixo-me envolver por aquela brisa fresca, olho para o relógio e este marca 07.45, já se deve beber café algures. No horizonte começam a nascer algumas torres de betão, não muito altas, mas o suficiente para me recordarem de onde estou, lembro-me do paramédico e apercebo-me que também eu não vinha aqui há muitos anos.
No bolso, o meu telemóvel volta a zumbir, a mensagem do costume, horas e locais culminados com uma frase: “Hoje é a deadline.” Ao lado desta, uma cara sorridente feita com sinais de pontuação e uma longa interjeição de riso, este deve ser o trocadilho mais velho deste ofício, não sabia que ainda o utilizavam.
Atiro o telemóvel novamente para o bolso e estudo o horizonte que se estende perante os meus olhos. Fui deixado num descampado relativamente próximo de uma cidade, que se vai delineando com traços mais carregados à medida que avanço para lá.
Embora a hora do dia seja ainda relativamente madrugadora, a verdade é que vejo já um número enorme de viaturas a circular no seio das estradas que dão acesso à metrópole, com o seu roncar característico de algo que está já atrasado para o seu emprego.
Ao chegar à periferia da cidade, paro junto do passeio e limito-me a estudar o trânsito de mãos nos bolsos. Bastaram cerca de três minutos para que eu subisse abruptamente um dos braços, chamando até mim o primeiro táxi que vejo aproximar-se. Depois de entrar na viatura, sou obrigado a atirar com a porta duas vezes para que esta fique finalmente trancada.
“Bom dia”, diz o taxista maquinalmente, sem se dignar sequer a olhar para o espelho retrovisor.
“Leve-me até ao Hotel Real Palácio.”
“Com certeza, caro senhor!”, responde imediatamente o taxista, lançando ao mesmo tempo um olhar submisso para o espelho.
Ter mencionado um dos hotéis mais luxuosos da região deve ter estimulado o apetite do taxista para uma boa gorjeta. Esboço um sorriso interior. De mim não vai levar absolutamente nada. Estou somente a ir para esse hotel, porque sei que é o ponto de partida para encontrar o meu alvo.
Toda a investigação que levei a cabo antes de ter a sua imagem sugere que ele passa imenso tempo no Hotel Real palácio, portanto é para lá que vou. Agora que já tenho as fotografias do meu objectivo, até me arrisco a acabar o trabalho dentro de algumas horas.
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