Não tenho a noção exacta do tempo que despendi, desde o instante que apanhei o táxi, até ao momento em que este aguardava calmamente que eu notasse que havia chegado. Provavelmente o meu organismo ressentia-se ainda das experiências vividas anteriormente. Apesar de tudo fazer para me manter acordado e alerta, as minhas pálpebras insistiram em embutir um peso enorme sobre os olhos. Nem mesmo o ruído do trânsito ou o aumento de luminosidade me impediram de dormitar durante a maior parte do percurso.
Foi a tossidela seca do taxista, com o pescoço já inclinado na minha direcção, que me despertou definitivamente:
“Cá estamos, senhor”, afirma com uma expressão sorridente. “ O Hotel Real Palácio. São doze euros e quarenta, por favor.”
Antes de me dignar a encontrar a carteira, dobro o cotovelo e olho para o meu relógio de pulso. Faltam exactamente vinte minutos para as nove da manhã. Solto um bocejo para ganhar energia. A partir de agora tenho de ser o meu antigo eu. Tenho uma missão a cumprir.
Retiro a carteira do meu casaco e entrego uma nota de vinte euros ao condutor. Este primeiro fica estático, como se esperasse ouvir “fique com o troco” a qualquer segundo. Somente depois do meu arquear de sobrancelhas é que ele vai buscar a diferença à sua bolsa, no meio de alguns resmungos praticamente imperceptíveis.
“Aqui está”, atira com uma voz um tanto cava.
“Obrigado”, respondo com um sorriso descontraído, ao mesmo tempo que abro imediatamente a porta e saio cá para fora. O meu sorriso é tonificado com o arranque brusco do taxista.
Respiro o ar da manhã uma vez mais e a minha face volta a ficar neutra. Agora é exigido que me concentre. Não posso ter mais falhas. Ainda cá fora, estudo rapidamente a entrada do hotel.
Antes de entrar no hall, deixo-me invadir por um brusco desejo de café, decido percorrer as ruas que começam a ganhar a vida. Sento-me numa cafetaria de aspecto tradicional e peço dois expressos, a empregada estranha o pedido mas não ousa fazer qualquer reparo o comentário sobre o mesmo. Cada café aquece-me a laringe e alumia a minha mente exausta. Deixo-me ficar suspenso naquele momento durante uns quinze minutos que soaram a horas.
Volto para o hotel e sento-me no bar deste. A televisão posicionada entre prateleiras de garrafas berra as notícias matinais, estranho não ver qualquer referência à situação do comboio, mas isso até me dá algum alento. O empregado entrega-me um menu, passeio os meus olhos pelos preços e pergunto-me se depois do ocorrido deverei deduzir as facturas deste serviço como sempre fiz, se calhar é melhor deixar estas por minha conta, acho que o patrão vai preferir que eu nem fale mais neste caso.
Sinto um pulsar de adrenalina a atravessar-me o peito, está na hora, vou despachar este gajo e pirar-me daqui, talvez meter umas férias, estou a precisar. Peço um chá e deixo-me ficar pelo balcão. Vinte minutos depois, o elevador repete o procedimento que eu o havia visto fazer mais de 10 vezes desde que chegara, mas desta vez o meu interesse redobra-se, de lá saem dois homens, um deles transporta um grosso casaco de cabedal enquanto fala ao telemóvel, a seu lado caminha um outro, um pouco mais alto equipado com fato e gravata.
Atrás deles avisto-o, o homem que eu procurava, o meu alvo. Colocando-se sempre um passo atrás dos seus acompanhantes encaminha-se para a porta. Deito uma mirada rápida ao menu, certifico-me do preço, largo uma nota no balcão e levanto-me. Mantenho a distância técnica de oito passos, e sigo-os, agora é só esperar por uma oportunidade.
Foi a tossidela seca do taxista, com o pescoço já inclinado na minha direcção, que me despertou definitivamente:
“Cá estamos, senhor”, afirma com uma expressão sorridente. “ O Hotel Real Palácio. São doze euros e quarenta, por favor.”
Antes de me dignar a encontrar a carteira, dobro o cotovelo e olho para o meu relógio de pulso. Faltam exactamente vinte minutos para as nove da manhã. Solto um bocejo para ganhar energia. A partir de agora tenho de ser o meu antigo eu. Tenho uma missão a cumprir.
Retiro a carteira do meu casaco e entrego uma nota de vinte euros ao condutor. Este primeiro fica estático, como se esperasse ouvir “fique com o troco” a qualquer segundo. Somente depois do meu arquear de sobrancelhas é que ele vai buscar a diferença à sua bolsa, no meio de alguns resmungos praticamente imperceptíveis.
“Aqui está”, atira com uma voz um tanto cava.
“Obrigado”, respondo com um sorriso descontraído, ao mesmo tempo que abro imediatamente a porta e saio cá para fora. O meu sorriso é tonificado com o arranque brusco do taxista.
Respiro o ar da manhã uma vez mais e a minha face volta a ficar neutra. Agora é exigido que me concentre. Não posso ter mais falhas. Ainda cá fora, estudo rapidamente a entrada do hotel.
Antes de entrar no hall, deixo-me invadir por um brusco desejo de café, decido percorrer as ruas que começam a ganhar a vida. Sento-me numa cafetaria de aspecto tradicional e peço dois expressos, a empregada estranha o pedido mas não ousa fazer qualquer reparo o comentário sobre o mesmo. Cada café aquece-me a laringe e alumia a minha mente exausta. Deixo-me ficar suspenso naquele momento durante uns quinze minutos que soaram a horas.
Volto para o hotel e sento-me no bar deste. A televisão posicionada entre prateleiras de garrafas berra as notícias matinais, estranho não ver qualquer referência à situação do comboio, mas isso até me dá algum alento. O empregado entrega-me um menu, passeio os meus olhos pelos preços e pergunto-me se depois do ocorrido deverei deduzir as facturas deste serviço como sempre fiz, se calhar é melhor deixar estas por minha conta, acho que o patrão vai preferir que eu nem fale mais neste caso.
Sinto um pulsar de adrenalina a atravessar-me o peito, está na hora, vou despachar este gajo e pirar-me daqui, talvez meter umas férias, estou a precisar. Peço um chá e deixo-me ficar pelo balcão. Vinte minutos depois, o elevador repete o procedimento que eu o havia visto fazer mais de 10 vezes desde que chegara, mas desta vez o meu interesse redobra-se, de lá saem dois homens, um deles transporta um grosso casaco de cabedal enquanto fala ao telemóvel, a seu lado caminha um outro, um pouco mais alto equipado com fato e gravata.
Atrás deles avisto-o, o homem que eu procurava, o meu alvo. Colocando-se sempre um passo atrás dos seus acompanhantes encaminha-se para a porta. Deito uma mirada rápida ao menu, certifico-me do preço, largo uma nota no balcão e levanto-me. Mantenho a distância técnica de oito passos, e sigo-os, agora é só esperar por uma oportunidade.
Sem comentários:
Enviar um comentário