Incrédulo, estudo a fotografia que tenho na mão uma e outra vez. Tento encontrar uma falha, algo que me demonstre que até o meu cérebro tem de estar enganado. Todavia, por mais que altere a perspectiva, a imagem é sempre a mesma.
Olho uma derradeira vez para a fotografia antes de a colocar no bolso. Trata-se de uma peça antiga, com os rebordos já ligeiramente fustigados pelo tempo. Não existe qualquer cor. Um preto e branco puro toma conta do desenho, oferecendo um contraste sublime ao que os meus olhos captam. Engulo em seco.
Na fotografia estou eu sentado pacatamente ao lado do gordo, num dos compridos bancos do átrio do hotel. Ambos desfrutamos de um charuto e seguramos um copo que me parece conter um aperitivo. O mais assustador é a nossa expressão. Olhamos um para o outro como se fossemos velhos conhecidos, como se tivéssemos já passado inúmeras temporadas em indescritíveis aventuras. Existe um olhar de cumplicidade no qual não me revejo.
Guardo a fotografia no meu casaco. Se todo este espaço for de facto o meu subconsciente, então sinto-me cada vez mais perdido. Se a minha mente me transmitiu uma sensação de repugnância perante o gordo durante este tempo todo, por que razão me mostra agora uma fotografia que parece representar uma forte amizade?
Envolto nos meus pensamentos, quando dou por mim estou de volta ao átrio. Olho com um ligeiro arrepio para o banco onde supostamente a fotografia foi tirada e paro. Não o desejo fazer, mas pé ante pé caminho lentamente na sua direcção. Paro a escassos centímetros do objecto. Cautelosamente, sento-me numa das pontas do banco e o átrio enche-se de vida.
"Os Senhores desejam ficar com este momento marcado?", pergunta um fotógrafo, nitidamente entusiasmado.
Uma gargalhada rouca antecipa-se à resposta.
"Sim sim, por que não?"
Viro o pescoço para o meu lado direito e arregalo os olhos. Com um sorriso enorme, o gordo dá um toque no meu ombro e fita a objectiva.
"Vamos, és sempre a mesma coisa. Mostra lá uma cara bem-disposta para variar", afirma o gordo através de um resmungo divertido.
Com os movimentos paralisados, é com um esforço enorme que me inteiro da situação. Cá estou eu, com um charuto, um copo de Whisky e na companhia do maldito gordo.
Olho uma derradeira vez para a fotografia antes de a colocar no bolso. Trata-se de uma peça antiga, com os rebordos já ligeiramente fustigados pelo tempo. Não existe qualquer cor. Um preto e branco puro toma conta do desenho, oferecendo um contraste sublime ao que os meus olhos captam. Engulo em seco.
Na fotografia estou eu sentado pacatamente ao lado do gordo, num dos compridos bancos do átrio do hotel. Ambos desfrutamos de um charuto e seguramos um copo que me parece conter um aperitivo. O mais assustador é a nossa expressão. Olhamos um para o outro como se fossemos velhos conhecidos, como se tivéssemos já passado inúmeras temporadas em indescritíveis aventuras. Existe um olhar de cumplicidade no qual não me revejo.
Guardo a fotografia no meu casaco. Se todo este espaço for de facto o meu subconsciente, então sinto-me cada vez mais perdido. Se a minha mente me transmitiu uma sensação de repugnância perante o gordo durante este tempo todo, por que razão me mostra agora uma fotografia que parece representar uma forte amizade?
Envolto nos meus pensamentos, quando dou por mim estou de volta ao átrio. Olho com um ligeiro arrepio para o banco onde supostamente a fotografia foi tirada e paro. Não o desejo fazer, mas pé ante pé caminho lentamente na sua direcção. Paro a escassos centímetros do objecto. Cautelosamente, sento-me numa das pontas do banco e o átrio enche-se de vida.
"Os Senhores desejam ficar com este momento marcado?", pergunta um fotógrafo, nitidamente entusiasmado.
Uma gargalhada rouca antecipa-se à resposta.
"Sim sim, por que não?"
Viro o pescoço para o meu lado direito e arregalo os olhos. Com um sorriso enorme, o gordo dá um toque no meu ombro e fita a objectiva.
"Vamos, és sempre a mesma coisa. Mostra lá uma cara bem-disposta para variar", afirma o gordo através de um resmungo divertido.
Com os movimentos paralisados, é com um esforço enorme que me inteiro da situação. Cá estou eu, com um charuto, um copo de Whisky e na companhia do maldito gordo.
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