Fito o gordo e tento reunir todas as condições necessárias para o meu cérebro formular uma frase e a minha boca a reproduzir. Os meus olhos cerram-se um pouco tentando reforçar a minha concentração e a minha destreza. Alguns instantes de hesitação antecedem a uma série de movimentos de aquecimento levados a cabo pela minha língua concluindo todo o processo com um: “Onde é que ele está?”
O gordo devolve-me o olhar não disfarçando o espanto perante a minha pergunta:
“Ele quem?”
Esboço um ligeiro sorriso e lanço o meu melhor olhar de desafio ao gordo:
“O homem que entrou aqui acompanhado por mais dois tipos, o homem que eu vinha matar.”
O gordo ajeita-se no banco enquanto arqueia as sobrancelhas perante as minhas palavras. Passa os dedos pela boca, e dispara:
“Creio que estás um pouco confuso, a única pessoa que entrou nesta casa fui eu, como aliás poderás facilmente reparar se olhares em teu redor. Assim não está cá mais ninguém, se crês que a pessoa que vinhas matar aqui entrou, só restam duas hipóteses: Ou te enganaste ou vinhas matar-me a mim!”
As palavras do gordo soam demasiadamente perfeitas, como se todo aquele discurso tivesse sido previamente ensaiado para focar os pontos que ele sabia serem os mais eficazes. O sorriso não lhe abandona a face e os seus olhos agora não abandonam os meus.
Dou por mim a acariciar o cabo da minha arma e a pensar no quão confortável e fácil seria enfiar-lhe agora um balázio entre os olhos. O gordo parece ler-me os pensamentos pois inclina-se sobre a secretária e sussurra:
“Foi isso que cá vieste fazer, matar-me?”
Olho para a arma que tenho na mão. Olho para o gordo que me fita com uma expressão insultuosamente calma.
“N-não… vim cá matar o homem que acabou de entrar. Completar a minha missão. Vim… fazer a m-missão…”
Gaguejo. Sinto-me novamente sufocado por esta realidade que parece fazer pouco da minha sanidade. O modo de como o gordo me estuda. A maneira de como o espaço está arranjado, fazendo lembrar um sonho pouco nítido e desconexo. Cerrando as pálpebras, sinto garras tenebrosas a enclausurar o meu espírito. Levam-no para o interior de algo que palavras nunca poderão descrever.
O meu braço ergue-se. O cano da arma fica directamente apontado à testa do gordo. Já não tenho a certeza de nada. Sinto-me completamente perdido neste labirinto inexpugnável que as últimas horas edificaram. À beira do desespero, tentar matar o gordo novamente nem parece uma ideia assim tão descabida. Basta comprimir o gatilho.
Como resposta, obtenho uma gargalhada desagradável, que me faz arrepiar os pêlos da nuca.
“Mas tu não aprendes?”, atira o gordo prazenteiramente. “Não te lembras já do que aconteceu quando me tentaste matar no hotel?”
“O hotel… isso não foi real”, respondo com um tom ridiculamente inseguro, apesar de não desviar a mira do meu alvo um centímetro que seja.
“Não queres que a chuva recomece, pois não?”
A entoação foi bem nítida. A expressão risonha do gordo não consegue camuflar a ameaça que voluteia perigosamente na sala. Lembro-me bem do que aconteceu quando ele falou de chuva pela última vez.
Baixo o cano da arma lentamente.
“Tu não és o meu alvo. Deixa-me em paz”, afirmo o mais calmamente que as minhas cordas vocais permitem.
Volto as costas ao gordo. Abro a porta da divisão e dou dois passos para o corredor do prédio. Cedo descubro que já não me encontro no mesmo.
O gordo devolve-me o olhar não disfarçando o espanto perante a minha pergunta:
“Ele quem?”
Esboço um ligeiro sorriso e lanço o meu melhor olhar de desafio ao gordo:
“O homem que entrou aqui acompanhado por mais dois tipos, o homem que eu vinha matar.”
O gordo ajeita-se no banco enquanto arqueia as sobrancelhas perante as minhas palavras. Passa os dedos pela boca, e dispara:
“Creio que estás um pouco confuso, a única pessoa que entrou nesta casa fui eu, como aliás poderás facilmente reparar se olhares em teu redor. Assim não está cá mais ninguém, se crês que a pessoa que vinhas matar aqui entrou, só restam duas hipóteses: Ou te enganaste ou vinhas matar-me a mim!”
As palavras do gordo soam demasiadamente perfeitas, como se todo aquele discurso tivesse sido previamente ensaiado para focar os pontos que ele sabia serem os mais eficazes. O sorriso não lhe abandona a face e os seus olhos agora não abandonam os meus.
Dou por mim a acariciar o cabo da minha arma e a pensar no quão confortável e fácil seria enfiar-lhe agora um balázio entre os olhos. O gordo parece ler-me os pensamentos pois inclina-se sobre a secretária e sussurra:
“Foi isso que cá vieste fazer, matar-me?”
Olho para a arma que tenho na mão. Olho para o gordo que me fita com uma expressão insultuosamente calma.
“N-não… vim cá matar o homem que acabou de entrar. Completar a minha missão. Vim… fazer a m-missão…”
Gaguejo. Sinto-me novamente sufocado por esta realidade que parece fazer pouco da minha sanidade. O modo de como o gordo me estuda. A maneira de como o espaço está arranjado, fazendo lembrar um sonho pouco nítido e desconexo. Cerrando as pálpebras, sinto garras tenebrosas a enclausurar o meu espírito. Levam-no para o interior de algo que palavras nunca poderão descrever.
O meu braço ergue-se. O cano da arma fica directamente apontado à testa do gordo. Já não tenho a certeza de nada. Sinto-me completamente perdido neste labirinto inexpugnável que as últimas horas edificaram. À beira do desespero, tentar matar o gordo novamente nem parece uma ideia assim tão descabida. Basta comprimir o gatilho.
Como resposta, obtenho uma gargalhada desagradável, que me faz arrepiar os pêlos da nuca.
“Mas tu não aprendes?”, atira o gordo prazenteiramente. “Não te lembras já do que aconteceu quando me tentaste matar no hotel?”
“O hotel… isso não foi real”, respondo com um tom ridiculamente inseguro, apesar de não desviar a mira do meu alvo um centímetro que seja.
“Não queres que a chuva recomece, pois não?”
A entoação foi bem nítida. A expressão risonha do gordo não consegue camuflar a ameaça que voluteia perigosamente na sala. Lembro-me bem do que aconteceu quando ele falou de chuva pela última vez.
Baixo o cano da arma lentamente.
“Tu não és o meu alvo. Deixa-me em paz”, afirmo o mais calmamente que as minhas cordas vocais permitem.
Volto as costas ao gordo. Abro a porta da divisão e dou dois passos para o corredor do prédio. Cedo descubro que já não me encontro no mesmo.
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