Num primeiro momento insisto em virar o manípulo do automóvel uma e outra vez, fazendo os possíveis por acreditar que tudo se deve a um defeito na porta. Desengano-me finalmente, quando observo o sorriso fingido que ainda não desapareceu da cara do taxista.
“Torno a perguntar: é mesmo isso que quer fazer?”, insiste o motorista, sem nunca descolar os seus olhos dos meus.
Em circunstâncias normais, jamais responderia a tal provocação. Fingiria que não tinha percebido e acabaria por sair do táxi sem ter reagido à pergunta. Contudo, tendo em conta o panorama actual, quem é que me pode censurar por desta vez não me fazer de desentendido? Mal o taxista tinha aberto a boca, já eu fazia desaparecer aquele irritante sorrisinho com a minha arma.
“E você? Quer continuar a desafiar a sua sorte?”, atiro vitoriosamente sobre o taxista, que me contempla com um olhar que joga agora entre o confuso e o assustado.
“Eu… não me está a reconhecer? Eu trabalho também na agência! Fui enviando para o ajudar porque conheço bem esta zona. E fiz a pergunta que fiz porque há uma maneira muito melhor de completar o trabalho!”
O homem sentado no banco do condutor disse tudo aquilo muito depressa e de uma assentada, mantendo sempre as mãos viradas para cima. Deu a entender que estava verdadeiramente intimidado com a minha reacção hostil.
“Prove-o”, digo calmamente. “Prove que trabalha na mesma agência que eu. E faça-o devagar.”
Muito lentamente, o suposto taxista leva uma das mãos ao bolso interior do casaco. Mantém o casaco aberto com a outra mão, para eu poder verificar que não vai buscar nenhuma arma. Com a ponta dos dedos puxa um cartão e vira-o na minha direcção. Ele não estava a mentir. Todos nós temos um cartão de uma empresa fictícia como meio de identificação, cartão esse que o taxista acaba de mostrar. Baixo a arma.
“Se estamos do mesmo lado, porquê as perguntas? Porquê trancar o carro?”, questiono, um tanto desorientado.
“Sabes tão bem quanto eu que tem de ser assim, tu não estás bem e não podemos correr riscos agora.”
Fito-o cada vez mais profundamente, e tenho de reconhecer que ele tem razão. O motorista percebe que tem o meu consentimento e põe o táxi de novo em movimento, contornamos o parque de estacionamento que rodeia todo o edifício, em seguida entramos por uma espécie de túnel que nos leva a um estacionamento subterrâneo.
O taxista estaciona junto a duas colunas que estão mais próximas entre si do que as restantes que compõem o padrão. Sai do carro em corrida e eu imito-o, ao abrir o porta-bagagens mostra-me dois dispositivos enormes que eu reconheço como bombas. Perante a minha estupefacção ele aligeira-se a explicar-me:
“Vamos rebentar com isto tudo. Da tua parte preciso apenas que assegures que ele está no décimo andar às 19 em ponto e aconselho-te a não estares por perto.”
Tento questioná-lo, mas ele aponta para a porta do elevador pedindo para que me despache. Corro em silêncio para o elevador, subo até ao décimo andar, e deparo-me com um salão enorme onde várias pessoas imaculadamente apresentadas conversam enquanto petiscam os acepipes.
A minha chegada chama a atenção de dois seguranças que se interrogam sobre o meu aspecto. Vejo-os a aproximarem-se e procuro uma casa de banho, não a encontro mas dou com a cozinha e é para lá que entro. Ao espreitar pela clarabóia percebo que os seguranças não vão desistir e se preparam para entrar para aqui também, e agora já trazem uma arma na mão.
“Torno a perguntar: é mesmo isso que quer fazer?”, insiste o motorista, sem nunca descolar os seus olhos dos meus.
Em circunstâncias normais, jamais responderia a tal provocação. Fingiria que não tinha percebido e acabaria por sair do táxi sem ter reagido à pergunta. Contudo, tendo em conta o panorama actual, quem é que me pode censurar por desta vez não me fazer de desentendido? Mal o taxista tinha aberto a boca, já eu fazia desaparecer aquele irritante sorrisinho com a minha arma.
“E você? Quer continuar a desafiar a sua sorte?”, atiro vitoriosamente sobre o taxista, que me contempla com um olhar que joga agora entre o confuso e o assustado.
“Eu… não me está a reconhecer? Eu trabalho também na agência! Fui enviando para o ajudar porque conheço bem esta zona. E fiz a pergunta que fiz porque há uma maneira muito melhor de completar o trabalho!”
O homem sentado no banco do condutor disse tudo aquilo muito depressa e de uma assentada, mantendo sempre as mãos viradas para cima. Deu a entender que estava verdadeiramente intimidado com a minha reacção hostil.
“Prove-o”, digo calmamente. “Prove que trabalha na mesma agência que eu. E faça-o devagar.”
Muito lentamente, o suposto taxista leva uma das mãos ao bolso interior do casaco. Mantém o casaco aberto com a outra mão, para eu poder verificar que não vai buscar nenhuma arma. Com a ponta dos dedos puxa um cartão e vira-o na minha direcção. Ele não estava a mentir. Todos nós temos um cartão de uma empresa fictícia como meio de identificação, cartão esse que o taxista acaba de mostrar. Baixo a arma.
“Se estamos do mesmo lado, porquê as perguntas? Porquê trancar o carro?”, questiono, um tanto desorientado.
“Sabes tão bem quanto eu que tem de ser assim, tu não estás bem e não podemos correr riscos agora.”
Fito-o cada vez mais profundamente, e tenho de reconhecer que ele tem razão. O motorista percebe que tem o meu consentimento e põe o táxi de novo em movimento, contornamos o parque de estacionamento que rodeia todo o edifício, em seguida entramos por uma espécie de túnel que nos leva a um estacionamento subterrâneo.
O taxista estaciona junto a duas colunas que estão mais próximas entre si do que as restantes que compõem o padrão. Sai do carro em corrida e eu imito-o, ao abrir o porta-bagagens mostra-me dois dispositivos enormes que eu reconheço como bombas. Perante a minha estupefacção ele aligeira-se a explicar-me:
“Vamos rebentar com isto tudo. Da tua parte preciso apenas que assegures que ele está no décimo andar às 19 em ponto e aconselho-te a não estares por perto.”
Tento questioná-lo, mas ele aponta para a porta do elevador pedindo para que me despache. Corro em silêncio para o elevador, subo até ao décimo andar, e deparo-me com um salão enorme onde várias pessoas imaculadamente apresentadas conversam enquanto petiscam os acepipes.
A minha chegada chama a atenção de dois seguranças que se interrogam sobre o meu aspecto. Vejo-os a aproximarem-se e procuro uma casa de banho, não a encontro mas dou com a cozinha e é para lá que entro. Ao espreitar pela clarabóia percebo que os seguranças não vão desistir e se preparam para entrar para aqui também, e agora já trazem uma arma na mão.
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