Um número incontável de murmúrios ecoa caprichosamente por entre aquilo que julgo ser uma sala relativamente espaçosa. Digo julgo, porque noto apenas o eco enorme que acompanha as palavras soltas. Não me atrevi ainda a abrir os olhos, pois sinto a cabeça a latejar e as pálpebras pesadíssimas. Além disso, sofro um receio inexplicável de encarar as fontes de tantos sussurros.
Não consigo explicar, mas existe algo de tenebroso nos silvos que atingem e fogem dos meus ouvidos. A sua origem não pode ser natural. Há algo. Há algo nestes sibilos que esconde um segredo demasiado pesado para o meu coração. Quero gritar contra os seres que me rodeiam como abutres espectrais, mas não o consigo fazer. Falta-me a voz.
Porventura notando que eu não consigo levantar as pálpebras, os donos dos murmúrios persistem com mais veemência. Debruçam-se sobre os meus ouvidos e tornam a lançar as suas palavras imperceptíveis. Faço um esforço por as compreender, mas não entendo uma única sílaba. O meu corpo treme, tenho medo.
Quando os murmúrios atingem um timbre tão penetrante que mais se assemelham a gritos de terror, eu dou por vencida a minha resiliência. Estive este tempo todo deitado, sem me atrever a mover um músculo que fosse do meu corpo. Contudo, quando sinto esta brecha no meu auto-controlo ergo-me como um relâmpago, mais movido pelo pânico do que outra coisa. Grito de olhos esbugalhados e estrebucho freneticamente, para afastar as ameaças que voluteiam ameaçadoramente em redor da minha pessoa.
Foram ainda necessários alguns segundos, até eu me aperceber que esbracejo com um demónio numa sala completamente vazia. Olho para baixo e reparo que estou sentado numa confortável cama. Todavia, ainda movido por este medo irracional, salto do leito e rastejo para um dos cantos da sala, colocando-me de costas contra a parede e perscrutando atentamente todas as direcções que a vista me permite.
Demoro cerca de cinco minutos a normalizar a respiração e, acima de tudo, a expulsar da mente os ecos daqueles temíveis murmúrios. Não sei a quem pertenciam e desejo nunca ter de o descobrir. Com um último suspiro, levanto-me e tento ignorar a fraqueza que se apoderou de mim. O mais importante agora é manter a calma e estudar a nova situação em que me encontro.
A divisão que ocupo é incrivelmente espaçosa e amplamente iluminada pela janela de proporções também elas grandes. Sinto um ligeiro sobressalto ao reparar que a janela está protegida por um gradeamento de metal. Estarei prisioneiro deste local?
A minha primeira reacção é de avançar para a única porta da divisão e girar a sua maçaneta repentinamente. Não me enganei. A porta está trancada. Olho em volta. Dentro da sala existe apenas a cama onde eu estava deitado e uma carpete encarnada sobre o mármore branco do chão. Não vejo como é que poderei escapar.
Atiro a mão ao bolso, apenas para o encontrar vazio. Não fico nada atordoado, pois no fundo esperava já que me tivessem confiscado a arma. Mas é inevitável pensar que as minhas hipóteses de fuga se encontram bastante reduzidas.
Mantenho a calma. Caminho lentamente para a janela e espreito lá para fora, espremendo ao máximo o meu rosto por entre as grades frias e desconfortáveis. Agora sim, sinto-me completamente perdido.
O que vejo não pode pertencer a um plano real. A paisagem é demasiado magnífica e perfeita para poder ser considerada verdadeira. Nunca, em toda a minha vida, presenciei árvores tão verdes e tão soberbas, retiradas de um autêntico sonho. O ar excessivamente puro, os sons da natureza excessivamente belos. O tom azul do céu tão carregado de excelência, que mais parece uma visão sobrenatural. Há algo que não está bem.
Não consigo explicar, mas existe algo de tenebroso nos silvos que atingem e fogem dos meus ouvidos. A sua origem não pode ser natural. Há algo. Há algo nestes sibilos que esconde um segredo demasiado pesado para o meu coração. Quero gritar contra os seres que me rodeiam como abutres espectrais, mas não o consigo fazer. Falta-me a voz.
Porventura notando que eu não consigo levantar as pálpebras, os donos dos murmúrios persistem com mais veemência. Debruçam-se sobre os meus ouvidos e tornam a lançar as suas palavras imperceptíveis. Faço um esforço por as compreender, mas não entendo uma única sílaba. O meu corpo treme, tenho medo.
Quando os murmúrios atingem um timbre tão penetrante que mais se assemelham a gritos de terror, eu dou por vencida a minha resiliência. Estive este tempo todo deitado, sem me atrever a mover um músculo que fosse do meu corpo. Contudo, quando sinto esta brecha no meu auto-controlo ergo-me como um relâmpago, mais movido pelo pânico do que outra coisa. Grito de olhos esbugalhados e estrebucho freneticamente, para afastar as ameaças que voluteiam ameaçadoramente em redor da minha pessoa.
Foram ainda necessários alguns segundos, até eu me aperceber que esbracejo com um demónio numa sala completamente vazia. Olho para baixo e reparo que estou sentado numa confortável cama. Todavia, ainda movido por este medo irracional, salto do leito e rastejo para um dos cantos da sala, colocando-me de costas contra a parede e perscrutando atentamente todas as direcções que a vista me permite.
Demoro cerca de cinco minutos a normalizar a respiração e, acima de tudo, a expulsar da mente os ecos daqueles temíveis murmúrios. Não sei a quem pertenciam e desejo nunca ter de o descobrir. Com um último suspiro, levanto-me e tento ignorar a fraqueza que se apoderou de mim. O mais importante agora é manter a calma e estudar a nova situação em que me encontro.
A divisão que ocupo é incrivelmente espaçosa e amplamente iluminada pela janela de proporções também elas grandes. Sinto um ligeiro sobressalto ao reparar que a janela está protegida por um gradeamento de metal. Estarei prisioneiro deste local?
A minha primeira reacção é de avançar para a única porta da divisão e girar a sua maçaneta repentinamente. Não me enganei. A porta está trancada. Olho em volta. Dentro da sala existe apenas a cama onde eu estava deitado e uma carpete encarnada sobre o mármore branco do chão. Não vejo como é que poderei escapar.
Atiro a mão ao bolso, apenas para o encontrar vazio. Não fico nada atordoado, pois no fundo esperava já que me tivessem confiscado a arma. Mas é inevitável pensar que as minhas hipóteses de fuga se encontram bastante reduzidas.
Mantenho a calma. Caminho lentamente para a janela e espreito lá para fora, espremendo ao máximo o meu rosto por entre as grades frias e desconfortáveis. Agora sim, sinto-me completamente perdido.
O que vejo não pode pertencer a um plano real. A paisagem é demasiado magnífica e perfeita para poder ser considerada verdadeira. Nunca, em toda a minha vida, presenciei árvores tão verdes e tão soberbas, retiradas de um autêntico sonho. O ar excessivamente puro, os sons da natureza excessivamente belos. O tom azul do céu tão carregado de excelência, que mais parece uma visão sobrenatural. Há algo que não está bem.
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