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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Capítulo 24 (Paradoxo Em Negro)

 Abandono esta paisagem com um violento abanão. Ao abrir os olhos vejo uma luz muito forte, e um homem de fato bastante bem engomado. Sou invadido por uma súbita saudade daquela paisagem magnífica, quem me dera poder voltar para o meu sonho. O homem caminha em círculos à volta da cama onde me encontro, enquanto acende um cigarro. Pelo cheiro intenso a fumo que está nesta sala não deve ser o primeiro. Tento acompanhar os seus movimentos com os olhos mas o meu pescoço que parece enferrujado não consegue estender-se tanto. O homem dá alguns passos na minha direcção e pergunta:
            “Então, já estás mais esclarecido?”
            Quase que fico indignado com tamanho descaramento. Esclarecido é algo que eu não estou há bastante tempo, e algo me diz que este gajo sabe perfeitamente disso.
            “Tens de parar com isso meu amigo. Estás a pôr demasiado em risco, entraste num campeonato onde não podes jogar, tens mesmo de te acalmar.”
            E aqui vamos nós de novo, já é quase uma tradição que eu esteja sempre a leste do que se passa e do que me dizem, e desta vez não é excepção, mais uma vez não sei ao que ele se refere.
            “Isto pode acabar bem... e só de ti depende, vais sair daqui, e dentro de 4 dias, receberás indicações sobre o que tens de fazer”
           Tento protestar, tento perguntar o que se passa, mas o meu anfitrião ignora, dizendo apenas:
            “Vou-te deixar sonhar mais um pouco”
            Sinto uma agulha no braço, sinto as pálpebras a ficarem cada vez mais pesadas, sinto os músculos a perderem a força, e depois não sinto mais nada...

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