Assim que desperto uma vez mais, vejo que estou confortavelmente encostado a um enorme carvalho, cujo recorte da sombra das suas folhas dança à volta dos meus olhos. Penso que foi a luz incerta do Sol, que incide sobre a minha vista de um modo inconstante que me fez acordar. Deixo que um longo espreguiçar percorra lentamente cada músculo do meu corpo, ao mesmo tempo que inspiro com gáudio o ar puro e revitalizante que o local me oferece.
É quando estou a meio do espreguiçar, e de um bocejo que faz os possíveis por se soltar, que algo faz o meu cérebro disparar. Os meus músculos retesam-se e o bocejo que estava prestes a sair ausenta-se imediatamente. Não me mexo, deixando-me ficar com os braços para cima e de olhos fixos no horizonte, como se um encantamento sobrenatural me tivesse subitamente petrificado.
“Vou-te deixar sonhar mais um pouco.”
Aquelas simples palavras, proferidas por um homem que nunca na vida havia visto, ecoam agora na minha memória. Será possível? Será que estou de facto a sonhar? Será que estou aprisionado algures, atado e preso a uma mesa enquanto embutem drogas nas minhas veias?
Ergo-me da relva fresca e estudo o carvalho. Demasiado real. O relevo do tronco e a pormenorização das folhas. É tudo demasiado real. O ar puro e a humidade da relva. O vento e o calor. O Sol a bater na face. Não há nenhum sonho que consiga ser tão autêntico. Ou então, o que quer que a agulha tenha posto no meu organismo, é mesmo forte.
De qualquer modo, se isto for realmente um sonho, há muita coisa que é explicada. As repentinas mudanças de cenário, tal como passar de um comboio para um hotel. O facto de não conseguir eliminar um alvo por mais que o persiga. E, evidentemente, o maldito gordo que deveria já estar morto há imenso tempo.
Contudo, se assim é, então uma nova questão se levanta assustadoramente. Se neste momento estou preso a uma mesa, com estupefacientes a serem injectados para dentro das minhas veias, quem é que me detém prisioneiro? Quem é aquele homem de fato? E por que é que ele me quer?
Lembro-me vagamente de ele lançar um aviso e de me sugerir calma. Qualquer coisa como estar a colocar demasiado em risco. Tento puxar pela memória. Sei que ele disse algo mais, mas não me consigo recordar exactamente do quê.
“Vou-te deixar sonhar mais um pouco.”
As suas palavras ressoam uma vez mais dentro da minha cabeça como um sibilar de difícil compreensão, mas bastante perceptível.
“Muito bem”, oiço a minha voz soltar instintivamente.
Seja. Isto é um sonho, certo? Partindo do princípio de que essa premissa é verdadeira, então deverei admitir que os episódios vividos desde o comboio não passam de produtos do meu subconsciente. E assim sendo, duas deduções lógicas têm de ser feitas.
Em primeiro lugar, o meu subconsciente está a tentar dizer-me alguma coisa. Em segundo lugar, visto que estou a sonhar, devo poder aceder a essa informação a meu bel-prazer.
Faço um aceno para mim mesmo e fecho os olhos.
Assim que sinto a familiar trepidação de uma carruagem em movimento, levanto as pálpebras, fitando automaticamente o gordo. Este olha para mim interrogativamente.
“Sim? Posso ajudá-lo?”
“Pode sim”, digo calmamente. “Acho que está na altura de termos uma conversa séria.”
É quando estou a meio do espreguiçar, e de um bocejo que faz os possíveis por se soltar, que algo faz o meu cérebro disparar. Os meus músculos retesam-se e o bocejo que estava prestes a sair ausenta-se imediatamente. Não me mexo, deixando-me ficar com os braços para cima e de olhos fixos no horizonte, como se um encantamento sobrenatural me tivesse subitamente petrificado.
“Vou-te deixar sonhar mais um pouco.”
Aquelas simples palavras, proferidas por um homem que nunca na vida havia visto, ecoam agora na minha memória. Será possível? Será que estou de facto a sonhar? Será que estou aprisionado algures, atado e preso a uma mesa enquanto embutem drogas nas minhas veias?
Ergo-me da relva fresca e estudo o carvalho. Demasiado real. O relevo do tronco e a pormenorização das folhas. É tudo demasiado real. O ar puro e a humidade da relva. O vento e o calor. O Sol a bater na face. Não há nenhum sonho que consiga ser tão autêntico. Ou então, o que quer que a agulha tenha posto no meu organismo, é mesmo forte.
De qualquer modo, se isto for realmente um sonho, há muita coisa que é explicada. As repentinas mudanças de cenário, tal como passar de um comboio para um hotel. O facto de não conseguir eliminar um alvo por mais que o persiga. E, evidentemente, o maldito gordo que deveria já estar morto há imenso tempo.
Contudo, se assim é, então uma nova questão se levanta assustadoramente. Se neste momento estou preso a uma mesa, com estupefacientes a serem injectados para dentro das minhas veias, quem é que me detém prisioneiro? Quem é aquele homem de fato? E por que é que ele me quer?
Lembro-me vagamente de ele lançar um aviso e de me sugerir calma. Qualquer coisa como estar a colocar demasiado em risco. Tento puxar pela memória. Sei que ele disse algo mais, mas não me consigo recordar exactamente do quê.
“Vou-te deixar sonhar mais um pouco.”
As suas palavras ressoam uma vez mais dentro da minha cabeça como um sibilar de difícil compreensão, mas bastante perceptível.
“Muito bem”, oiço a minha voz soltar instintivamente.
Seja. Isto é um sonho, certo? Partindo do princípio de que essa premissa é verdadeira, então deverei admitir que os episódios vividos desde o comboio não passam de produtos do meu subconsciente. E assim sendo, duas deduções lógicas têm de ser feitas.
Em primeiro lugar, o meu subconsciente está a tentar dizer-me alguma coisa. Em segundo lugar, visto que estou a sonhar, devo poder aceder a essa informação a meu bel-prazer.
Faço um aceno para mim mesmo e fecho os olhos.
Assim que sinto a familiar trepidação de uma carruagem em movimento, levanto as pálpebras, fitando automaticamente o gordo. Este olha para mim interrogativamente.
“Sim? Posso ajudá-lo?”
“Pode sim”, digo calmamente. “Acho que está na altura de termos uma conversa séria.”
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