Sinto o meu corpo a tremer como se me preparasse para desmaiar, roubaram-me tudo de novo, aquela gloriosa sensação de ter pelo menos um pouco de controlo sobre tudo isto desvanece-se abruptamente. Rodopio na carruagem em torno de uma resposta, uma pista, um sinal, qualquer coisa serve, confesso que neste momento já não sou exigente.
Toda aquela gente me ignora, correndo de um lado para o outro, como se tudo não passasse de uma peça de teatro em que o meu lugar é mesmo no centro do palco. Como se tudo fosse um filme e eu estivesse dentro do ecrã, como mero espectador, ninguém me toca e eu não toco em ninguém. Como se tudo o que eu fizesse fosse simplesmente irrelevante, o poder já não é meu, há muito que eu não controlo nada e me limito a atravessar este comboio, como uma força indelével na qual ninguém repara.
Este comboio... Sempre este comboio. A minha mente... Sempre a minha mente.
Olho para tudo isto como se não passasse de uma espiral, um tornado onde eu me vou deixando envolver cada vez mais, até não passar de uma leve árvore esvoaçando e rodopiando rumo ao impacto final. Fecho os olhos e vejo tudo a acontecer outra vez, tudo a passar e a passar e a passar, como se fosse obrigado a viver cada instante da minha vida num modo de repetição constante. Como se uma melodia irritante me tomasse de assalto o cérebro e insistisse em ficar ali instalada até ao ponto maior da loucura.
Isto sou eu, já sem mais nada. Isto sou eu a lutar contra uma força impossível de derrubar, pois corresponde exactamente à minha pessoa. Isto sou eu a remar sozinho contra a maré de mim próprio que insiste em arrastar-me. Isto sou eu correndo em direcção a um final demasiado feio para ser sequer descritível em palavras.
Lembro-me de Shakespeare que disse “Nunca tentem um homem desesperado.” E o que sou eu? Senão o mais desesperado de todos os homens... Porque continuam a tentar-me, porque continuam a tirar-me o controlo da única coisa que eu ainda tentava controlar... a minha vida.
Desejo abrir os olhos e simplesmente acordar, descobrir que todos estes dias não passaram de um sonho qualquer, promovido por uma noite de bebedeira. Desejo que toda esta realidade irreal se reduza definitivamente à sua noção de irrealidade e me deixe viver no mundo real, pois apesar de desagradável, eu já o conheço.
Peço que tudo se apague, peço que todos estes figurantes desapareçam e que eu possa ser apenas eu, sozinho como sempre. Peço que este comboio desapareça e que leve consigo toda esta loucura. Peço. Peço, com tal intensidade, que acaba por acontecer...
Toda aquela gente me ignora, correndo de um lado para o outro, como se tudo não passasse de uma peça de teatro em que o meu lugar é mesmo no centro do palco. Como se tudo fosse um filme e eu estivesse dentro do ecrã, como mero espectador, ninguém me toca e eu não toco em ninguém. Como se tudo o que eu fizesse fosse simplesmente irrelevante, o poder já não é meu, há muito que eu não controlo nada e me limito a atravessar este comboio, como uma força indelével na qual ninguém repara.
Este comboio... Sempre este comboio. A minha mente... Sempre a minha mente.
Olho para tudo isto como se não passasse de uma espiral, um tornado onde eu me vou deixando envolver cada vez mais, até não passar de uma leve árvore esvoaçando e rodopiando rumo ao impacto final. Fecho os olhos e vejo tudo a acontecer outra vez, tudo a passar e a passar e a passar, como se fosse obrigado a viver cada instante da minha vida num modo de repetição constante. Como se uma melodia irritante me tomasse de assalto o cérebro e insistisse em ficar ali instalada até ao ponto maior da loucura.
Isto sou eu, já sem mais nada. Isto sou eu a lutar contra uma força impossível de derrubar, pois corresponde exactamente à minha pessoa. Isto sou eu a remar sozinho contra a maré de mim próprio que insiste em arrastar-me. Isto sou eu correndo em direcção a um final demasiado feio para ser sequer descritível em palavras.
Lembro-me de Shakespeare que disse “Nunca tentem um homem desesperado.” E o que sou eu? Senão o mais desesperado de todos os homens... Porque continuam a tentar-me, porque continuam a tirar-me o controlo da única coisa que eu ainda tentava controlar... a minha vida.
Desejo abrir os olhos e simplesmente acordar, descobrir que todos estes dias não passaram de um sonho qualquer, promovido por uma noite de bebedeira. Desejo que toda esta realidade irreal se reduza definitivamente à sua noção de irrealidade e me deixe viver no mundo real, pois apesar de desagradável, eu já o conheço.
Peço que tudo se apague, peço que todos estes figurantes desapareçam e que eu possa ser apenas eu, sozinho como sempre. Peço que este comboio desapareça e que leve consigo toda esta loucura. Peço. Peço, com tal intensidade, que acaba por acontecer...
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